A traição a Geisel

A traição a Geisel

1 de abril de 2019 1 Por Senhor X

Fernando Rosa – A abertura de um escritório de representação do Brasil em Jerusalém, no lugar da mudança da embaixada, anunciada neste final de semana, é mais um uma medida na linha da “destruição” pregada pelo capitão-presidente.

Além do “factóide”, que serve apenas para Bolsonaro fazer um agrado ao seu ídolo imperial, o que sobra é prejuízo para os brasileiros, que perderão mercados comerciais duramente conquistados pelas gerações anteriores.

A posição de Bolsonaro ignora decisão histórica adotada pelo Brasil durante o governo do general Ernesto Geisel, nos anos 70, que propiciou ao Brasil abrir os mercados do Oriente Médio, especialmente ao agronegócio

Em 10 de novembro de 1975, com o voto do Brasil, foi aprovada a Resolução 3379 da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), que considerou o sionismo como forma de racismo e discriminação racial.

Em sua biografia, o general Geisel disse que, mesmo contrariando os Estados Unidos, e também militares à época alinhados ao general Sylvio Frota, líder da “linha dura”, o Brasil votou a favor da resolução.

Atualmente, temos um volume de exportação de cerca de US$ 11,2 bilhões para os países do Oriente Médio, contra US$ 466 milhões para Israel; além de outros US$ 9 bilhões para os países árabes da África.

Também em seu governo, o general Ernesto Geisel abriu relação com a China e com Angola, além de aprofundar o papel do Estado na economia, posições hoje questionadas ou criticadas abertamente pelo capitão e generais no governo.

Ao renegar as corretas, pragmáticas e estratégicas políticas adotadas pelo presidente Geisel em seu governo, com evidentes resultados futuros, Bolsonaro e seus generais deixam claro a que interesses servem.

Não foi por acaso que, no período pré-eleitoral, a memória do general Ernesto Geisel foi alvo de intensa campanha difamatória por parte da CIA, a mesma instituição que Bolsonaro visitou em sua recente viagem à matriz.

Assim como Getúlio Vargas e Lula, Geisel se portou como um estadista, acima de tudo compromissado com a construção da Nação, ao contrário de quem hoje ataca o Estado Nacional e bate continência para potências estrangeiras.