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Para Amorim, golpe na Bolívia teve participação estrangeira

Denise Assis / Jornalistas pela Democracia – Ao tomar conhecimento da notícia da renúncia do presidente boliviano, Evo Morales, Celso Amorim, o ex-chanceler e ex-ministro dos governos de Lula e Dilma Rousseff, respectivamente, reagiu com indignação. Recém-chegado de uma reunião do Grupo de Puebla*, onde se discutiu exatamente as manifestações populares nos países vizinhos, como Chile, Equador e Peru, Amorim condenou com veemência o que classificou de “golpe de estado com participação de forças internacionais”.

Evo Morales, presidente da Bolívia, foi levado à renúncia, em mais uma investida de forças internacionais na América do Sul, sob ataques de lawfare – uma forma de guerra com o uso emprego de manobras jurídico-legais como substituto de força armada, visando alcançar determinados objetivos de política externa ou de segurança nacional.

Para Celso Amorim, a queda de Evo Morales em um momento em que a Bolívia cresce a índices de países desenvolvidos “é uma reação da direita internacional aos avanços das forças progressistas na América do Sul”. Ele citou como exemplo a vitória de Alberto Fernández, na Argentina, e lembrou que até mesmo a libertação do ex-presidente Lula pode ter influído e levado temores à direita, “sempre receosa da força de dirigentes com as característica de Evo Morales”. E nomeou os motivos, em sua opinião levaram à queda do dirigente: “é um sindicalista, indígena, com um notável trabalho em defesa dos trabalhadores e é um progressista”.

Embora frise que não tem informações a respeito, e não possa fazer afirmações a respeito, o ex-chanceler destacou notícias que circularam mais cedo em publicações no Brasil, de que há suspeitas da participação do governo Bolsonaro no golpe que levou o presidente boliviano á renúncia. “Não me espantaria. A nossa postura é muito belicosa com relação aos governos progressistas. O que surpreende é a rapidez com que o golpe se consumou. “O presidente Evo disse ontem que concordaria com a realização de novas eleições – colocadas sob suspeição pela Organização dos Estados Americanos – OEA. Não havia, portanto, motivo para derrubá-lo. Isso prova que foi um golpe autêntico”, concluiu.

*O Grupo de Puebla se propõe a ser um contrapeso aos governos de direita que dominam o cenário político da América Latina. A região experimenta uma nova onda de governos neoliberais que insistem em promover os interesses e privilégios de uma elite socioeconômica às custas do desenvolvimento de nossos povos, frustrando suas possibilidades de desenvolvimento e bem-estar social, e enfraquecem as instituições democráticas, o estado de direito, a validade dos direitos humanos e do meio ambiente”, diz a declaração do grupo.

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