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A clava forte

Fernando Rosa – Matéria da Rede Globo, em seu portal G1, fecha mais um ponto da narrativa do roteiro original dos golpistas. Diz a matéria: “Em depoimento, Palocci conta que pré-sal financiaria projeto do PT no poder”. Ou seja, não basta incriminar Lula e o PT, mas tem de também usar isso para justificar os objetivos estratégicos do golpe.

O pré-sal, de benefício estratégico para a Nação e para o povo brasileiro, passa a ser apenas uma fonte de corrupção. Com isso, justificam entregar as maiores reservas descobertas nos tempos modernos ao estrangeiro. A Lava Jato cumpre o papel de produzir “argumentos” e a Rede Gloebells se encarrega de martelar na sociedade.
Esse não é o único caso em que a dinâmica da Lava Jato atende aos interesses dos golpistas. No caso da Segurança Nacional, primeiro investiram contra nossa política nuclear, prendendo e condenando o Almirante Othon a 41 anos de prisão. Agora, apostam em abrir a Região Amazônica para a ocupação por bases militares norte-americanas.
O próximo passo, que costuram às pressas, é concluir o processo de criminalizar a política na sociedade brasileira. A Lava Jato se apressa para fechar o cerco e prender Lula, se possível, ou pelo menos afastá-lo das eleições. Assim, criam as condições definitivas para não haver eleições em 2018.
A caravana de Lula pelo Nordeste acionou o alerta vermelho dos golpistas, que sentiram a força real de Lula e do povo. Sabem eles que, no centro do país, onde a crise é mais explosiva, as coisas ainda pode ser piores para eles. É preciso, portanto apertar o cerco, acelerar a destruição do país e da nossa capacidade de reagir.
Esse roteiro, atrapalhado em alguns momentos, parece caminhar para um desfecho inevitável, diante da fragilidade da oposição. Ainda agora, os principais atores da política brasileira seguem na defensiva da denúncia do golpe e de suas consequências. Poucos apontam as razões do golpe e seus verdadeiros mandantes.
Alguns avanços de consciência ocorreram, mas no essencial continuamos combatendo zumbis teleguiados desde embaixadas, departamentos de Estado e agências de inteligência. Caipiras que somos, inclusive aos olhos de outros países, não conseguimos entender que o golpe cumpre ordens externas. Para muitos, o jogo limita-se a disputas de egos e espaços entre os agentes da conspiração.
Outro dia, o ex-chanceler Celso Amorim deu a deixa para superar essa fase infantil da política nacional. Nesta semana, também o novo truco de Rodrigo Janot deixou claro o nível de planejamento das ações golpistas. Mas, ao contrário do que disse Amorim, seguimos acreditando apenas em coincidências, e não em conspirações.
As principais instituições do país estão comprometidas pelo seu envolvimento com o golpe de Estado anti-nacional. O STF mostrou-se impotente e descartável, a PGR um grande balcão de negócios milionários, a PF uma “volante” a serviço do Império e o Congresso, bem … É preciso “refundar” o Brasil, construir novas estruturas de poder real.
Alinhar as lideranças populares, nacionais, democráticas e patrióticas em torno de um Projeto de Nação é o começo para erguer a força capaz de impedir a recolonização do Brasil. Para isso, é decisivo contar com as Forças Armadas, como um poder de Estado, assim como ocorre na Síria, na Turquia, na Venezuela. É ilusão achar que o imperialismo financeiro recua apenas diante de protestos de rua e/ou eleições.
É urgente, portanto, ampliar o debate não apenas sobre o presente, mas sobre o futuro do país, sobre qual Brasil defendemos. Já pagamos o preço do isolamento por bandeiras excludentes e sem poder de levar o povo às ruas. O Brasil e a América Latina tem tradição de luta nacionalista, e somente isso é capaz de mobilizar os povos e as Nações.

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