A farsa dos 300

A farsa dos 300

31 de maio de 2020 0 Por Senhor X

Fernando Rosa – A mídia brasileira vem cometendo uma profunda injustiça com a Klu Klux Kan na cobertura das peripécias da senhorita Sara Winter. Mais conhecida como KKK, a organização norte-americana prega a supremacia branca, e tem um histórico de preconceito, violência e crimes. Mas, sejamos fiéis à verdade, sem trocadilhos, a KKK tem pouco a ver com a estética, símbolos e cantorias da turma de marmanjos comandados pela ex-piriguete.

Desta vez, a conta vai para outro endereço, aquele país amigo de Bolsonaro, que ele não se cansa de elogiar em discursos. O mesmo em que seus filhos desfilavam por sua capital exibindo camisetas com inscrições do Mossad e do Exército. Aliás, gente da qual o juiz Sérgio Moro e companhia talvez não comunguem da mesma simpatia de seu ex-presidente. 

Apesar do apelo pop do nome “300”, o enredo da senhorita Natasha Orloff repaginada não tem a ver com o filme, para a sorte de Frank Miller. Os 300 não são os de Esparta, do Rei Leonidas que liderou trezentos espartanos na batalha contra o “deus-rei” Xerxes da Pérsia, e nem as tochas são da KKK. A simbologia tem a ver com Gideão, o quinto juiz no Velho Testamento, personagem da história de Israel.

Na história, com apenas 300 homens, Gideão enfrentou o exército do povo de Midiã que subjugava os israelitas. Reza a lenda que na batalha, durante a noite, atacaram o inimigo, em maior número, com tochas e barulhos diversos. Na escuridão, os soldados inimigos, confusos e com medo, feriram-se entre si ou fugiram.

Os tempos são outros e está nas mãos dos atuais juízes aplicarem os rigores da lei contra a farsa dos 300, que não passam de 30. Menos pela estética duvidosa e pelas palavras ofensivas, e mais pelo que ela esconde na escuridão de suas ações teatrais. Que o Supremo Tribunal Federal (STF) demonstre efetivamente que há juízes no Brasil, diferente da Alemanha de Hitler em que eles faltaram.