Artigos

A guerra tecnológica

Fernando Rosa – A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) adiou mais um vez o processo de implantação do 5G no país. A decisão da suspensão do leilão foi anunciada no último dia 12 de dezembro pela agência. Em 20 de novembro, o jornal Valor noticiou que “o pivô de conflito EUA-China, 5G” havia ido para a “antessala de Bolsonaro”. O novo atraso na publicação do edital empurrou o leilão para o segundo semestre de 2021.

Para mais além dos conflitos entre conselheiros da agência, a medida atende à pressão dos Estados Unidos na guerra tecnológica. Em novembro, matéria da Folha de S. Paulo informava que os EUA trabalhavam para que o leilão do 5G fosse adiado. Segundo o jornal, o objetivo norte-americano é ganhar tempo para que suas empresas alcancem o padrão tecnológico dos chineses.

O centro da disputa é a chinesa Huawei, a principal empresa mundial em tecnologia 5G, secundada pela sueca Ericsson e pela finlandesa Nokia. Apesar dos esforços, os EUA estão perdendo a corrida pela liderança tecnológica, derrota estratégica que fez da empresa chinesa alvo de retaliações. A diretora financeira da empresa foi presa no Canadá, em 2018, em um processo ao estilo “operação Lava Jato”.

A tecnologia 5G é a porta irreversível para o futuro da indústria, da economia, dos serviços públicos, do cotidiano das pessoas. O 5G permitirá navegar a 10 gigabites por segundo, mais rápido que os sistemas de fibra ótica disponíveis atualmente. A velocidade de conexão é praticamente instantânea e a possibilidade de dispositivos conectados ilimitada.

“Os Estados Unidos tratam a América Latina como seu quintal”, afirmou o CEO da Huawei, Ren Zhengfei, em sua primeira entrevista à impressa latino-americana em dezembro. “Nosso objetivo é ajudar a América Latina a sair desta armadilha e manter a soberania de seus países”, registrou o jornal Valor, que participou da entrevista. A entrevista foi uma resposta às pressões de Trump contra o Brasil e aos demais países da América Latina.

Não por acaso, os EUA querem vender o CFIUS, sigla de seu comitê que “avalia” investimentos sob a ótica da segurança nacional. Apresentada à Casa Civil no início de outubro por emissários norte-americanos, a ideia teria agradado a setores militares do governo, segundo noticiou a Folha de S. Paulo. Mesmo que ignorado, esse é o tema central da disputa geopolítica da conjuntura atual nacional, regional e mundial.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *