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A mão assassina

Fernando Rosa
A derrota de Hillary Clinton nas eleições norte-americanas foi um baque para o comando da globalização mundial. Em seguida, a “gangue internacional”, como diz Trump, teve de engolir a vitória de Putin em Allepo, na Síria, que escancarou a relação da elite política e econômica transnacional com o terrorismo. Em pouco mais de um mês, perderam poder no terreno econômico, político e militar.
A resposta veio hoje com o assassinato do embaixador russo, Andrei Karlov, na Turquia. “O crime cometido é, sem dúvida, uma provocação com objetivo de sabotar a normalização das relações russo-turcas”, denunciou o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Trata-se também de uma tentativa de inviabilizar o processo de paz na Síria, resultado da ação da Rússia, Turquia e Irã, especialmente.
Se confirmado o atentado em Berlim, o sistema financeiro e a indústria da guerra confessam duplamente seu desespero diante das mudanças no mundo. A eleição de Trump apontou outro caminho para a economia dos Estados Unidos e, em decorrência, de outros países. O crescimento do nacionalismo em várias regiões também se contrapõe ao neoliberalismo predatório.
No Brasil, essas mesmas forças reacionárias sustentam ideológica, estratégica e financeiramente o golpe de Estado, desde a espionagem da NSA. O judiciário, a grande mídia, em especial, a Globo, e o PSDB alinharam-se aos novos mafiosos internacionais que apostam na destruição do Estado brasileiro. Degolado na matriz, o “corpo” nativo invasor e/ou capturado está perigosamente à deriva ameaçando transformar o Brasil em uma Grécia.
A “mão do assassino”, como definiu Putin, que agiu em Ancara é a mesma mão por trás do golpe de Estado em curso no Brasil. Não temos mais o direito de nos comportarmos como um bando de caipiras isolados do mundo, limitando o universo da luta política às disputas paroquiais. Ou se rompe com isso, se explica ao povo as reais causas da crise econômica, política e social, ou pagaremos a conta do desastre nacional, por longos anos.

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