A “resiliência” de Bolsonaro

A “resiliência” de Bolsonaro

26 de julho de 2020 0 Por Senhor X

Fernando Rosa – A mídia insiste com a tese de que “o PT está perdendo suas bases para o Bolsonaro”. Uma pauta encomendada para tentar colocar o partido na defensiva política. A isso, tentam igualar os movimentos de Bolsonaro com a prática de Lula e Dilma em seus governos. Em recente entrevista da presidenta do partido, deputada Gleisi Hoffmann, na CNN, a “pauta única” dos entrevistadores chegou a ser constrangedora.

Ao tentar “desaparecer” com o PT, na verdade investem em esconder a incomoda explicação da tal “resiliência” de Bolsonaro e seu governo. O que define “os 30%” de Bolsonaro é o “Partido do Exército”, grande parte da Polícia Militar, as milícias e bispos neopentecostais associados, que somam milhares de pessoas. É a força, sem voto, que faz da intimidação instrumento de poder sobre a sociedade. O “ovo da serpente” do fascismo chocado aos olhos de todos.

Após 30 anos de “acostamento”, como reconheceu o general Augusto Heleno, os emergentes generais bolsonaristas são o próprio governo. Alocados em mais 3 mil postos no Executivo, fazem inveja ao Centrão com sua “fome” por cargos e complementos salariais. Ao mesmo tempo, apoiam a pública política do chefe em armar as milícias. Também são avalistas do desastroso alinhamento do Brasil aos EUA. E emprestam suas “habilidades” para destruir ministérios estratégicos.

A tais fatos hipocritamente ignorados se soma a vergonhosa aposta da mídia empresarial em passar pano no governo genocida, que promove destruição e morte. Voz dos bancos, a mídia hegemônica tenta domesticar o “mito” para salvar o moribundo rentismo neoliberal. O inimigo é o PT, o Lula, a Dilma, os governos do PT que “destruíram” a economia do país. Nenhum questionamento sobre a desastrosa gestão do ministro Paulo Guedes.  

A crise econômica mundial, no entanto, está sendo e será ainda mais implacável com essa gente. O PIB norte-americano aponta para queda de 30% no segundo semestre. No Brasil, deve bater nos 15%, destroçando micro e pequenas empresas e os empregos dos trabalhadores. Nessa hora, o capitão e os generais do “Partido do Exército”, em especial, serão cobrados pelo papel que cumpriram nessa etapa histórica do país.