Golpistas apostam no caos

7 de março de 2017 Off Por Senhor X
Fernando Rosa – A reboque da população brasileira, a Rede Globo encerrou a cobertura do carnaval “demitindo” Temer, em matéria tão atrasada quanto cínica. Mas foi o suficiente, ao que parece, para acordar os “rubinhos” da política nacional sobre o roteiro do golpe. A bem da verdade, “Fora Temer” sempre foi bandeira (secreta) dos golpistas, à espera de 2017.

Assim sendo, está aberta a temporada de caça ao Temer, o que não deverá durar muito, pelo andar da carruagem. Na sequência virá a eleição indireta, via Congresso Nacional, com o nome que conseguirem articular. E, dependendo das condições políticas do momento, junto tentarão emplacar um adiamento das eleições de 2018, tramado por Gilmar Mendes e Rede Globo.
Isso, pensando com a visão meramente eleitoral do processo que, pelo que se antevê, aponta para um futuro próximo muito mais grave do que se imaginou até aqui. O afastamento do PT do poder, a implosão do PMDB e a indigência do PSDB deixarão o Brasil no vácuo político. Uma situação agravada, ainda, pela total falência das instituições, do STF, em especial, ao Congresso Nacional.
O Brasil está sendo empurrado para o caos político, econômico e social, como só uma guerra clássica de destruição, a exemplo do Iraque e da Líbia, seria capaz. O general Villas Bôas definiu bem a situação, com a devida cautela de um chefe das Forças Armadas, quando disse que “o país está à deriva”. Até os lacaios internos, abandonados pela derrotada madrinha Clinton, estão submergindo nas águas turvas do golpismo.
Com isso, cumpre-se o objetivo primordial dos donos do golpe, o sistema financeiro internacional, que é a destruição do Brasil enquanto Nação soberana. O caos, a desordem, o descrédito servem apenas a quem quer saquear o país, suas riquezas e impor a exploração dos brasileiros. É o que se está vendo com o sequestro do Orçamento Geral do União, a entrega do pré-sal, a falência da indústria naval, entre outros setores.
A queda do PIB de 3,6% em 2016, depois de cair 3,8% em 2015, é o retrato mais fiel da destruição provocada pela Operação Lava Jato e a rendição ao sistema financeiro. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), trata-se da pior recessão da história do Brasil, mais grave do que a quebradeira dos anos 30. Essa sequência de dois anos seguidos de queda só foi verificada no Brasil entre 1930 e 1931, quando os recuos foram de 2,1% e 3,3%, respectivamente.
Os brasileiros não podem aceitar essa situação, sob risco de comprometer o Estado Nacional, sua identidade e história de construção da Nação. Em todos os momentos da vida do País, os brasileiros souberam, de diferentes maneiras, defender a Pátria. Um dos exemplos mais simbólicos é a Guerra Brasílica, em que portugueses, negros e índios se uniram para defender a integridade do território invadido pelos holandeses.
É preciso derrotar a nova invasão, expulsar “o exército do sistema financeiro” e dar aos “calabares” modernos o destino que lhes é reservado na história brasileira. Para isso, além da retórica, é urgente unir todos os patriotas – civis e militares – em torno de um Projeto Nacional, que aponte para a industrialização, geração de empregos e defesa da soberania. Ou fazemos isso agora, ou o balançar do navio adernando produzirá ainda mais tragédias.