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Buchada de bode

Zacharias do Bode – Em um lugar perdido nos cafundós do Judas, morava um caipirão, grande sujeito, bonachão, querido em toda a região.

Mas tinha um problema na vida.

Um bode.

Pois o maldito bode era um terror. Não tinha limites. Desrespeitava todas as regras de convivência.

Invadia as hortas, as lavouras, as casas dos vizinhos. E comia de tudo, de alpargatas até o pasto sobrevivente do rigor do sol a pino.

Um animal que não se submetia a qualquer regra das relações humano-animal.

Um dia, um dos vizinhos, amigo do caipirão, dos mais prejudicados pelo bode, chegou ao limite da paciência. E exigiu que o vizinho desse um fim nos abusos diários do animal.

Diante da pressão, o caipirão decidiu matar o bicho e fazer uma buchada de bode.

Marcou data para a comilança e, claro, convidou o vizinho.

No dia marcado, nem antes, nem depois, o vizinho chegou com toda a família, mulher e o bando de filhos.

Ao chegar na casa, viu o bode solto no pátio e o vizinho sentado na soleira da porta, todo estropiado.

Sem entender, perguntou o que havia acontecido.

O vizinho, sem cumprir o prometido, explicou que até tentou matar o bode. Mas o bicho resistiu, o atacou e deu pinote para todo lado.

E ai? – questionou o vizinho, já vendo que a buchada de bode tinha “miado”. 

– Pois, vizinho, já que estamos aqui, com a mulher e a criançada, que tal um “baião de dois com manteiga de garrafa”.

– Não dá, vizinho. O bode comeu o meu feijão.

– Então, girimum com carne seca.

– O bode acabou acabou com a plantação de abóbora.

Diante da insistência do amigo, constrangido o capirão encerrou a conversa.

– Olha, vizinho, eu prometi a buchada, mas o problema é que alguém precisa matar o bode. 

  • Zacharias do Bode é cronista sertanejo e não acredita em premonição com data marcada, menos ainda na política.

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