Cloroquina financeira

Cloroquina financeira

1 de agosto de 2020 0 Por Senhor X

Fernando Rosa – O servilismo do governo Bolsonaro está indo além do apoio às posições do presidente norte-americano Donald Trump. Ao que parece está também disposto tratar os inimigos de Trump como seus inimigos. Antes, Bolsonaro e os militares haviam ensaiado a patacoada de servir de bucha de canhão dos EUA para “invadir” a Venezuela. Mas agora, tudo indica que decidiram dar um passo – em falso – em frente e armar confusão com “aquele país”, como Bolsonaro se referiu à China em sua última “live”. 

É o que significa objetivamente a indicação do ex-presidente do HSBC no Brasil, André Brandão, para comandar o Banco do Brasil. O fato por si só é um escândalo, pois significa entregar um banco público para a administração de um representante direto do sistema financeiro privado. Mas a sugestão de um nome do HSBC tem implicações que extrapolam a mera sucessão na presidência de um banco. Ou o suspeito debate sobre a importância ou não de “nomes de mercado” para a função.

O HSBC está em rota de colisão com a China, desde que patrocinou uma “delação premiada”, ao estilo Lava Jato, que resultou na prisão da diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, no Canadá, em 2018. No final de semana, a direção mundial do banco, sediada em Londres, teve de vir a público negar ter ajudado aos Estados Unidos no processo contra a Huawei. Em comunicado oficial, divulgado na mídia social chinesa WeChat, o banco enfatizou não haver nenhum tipo de “hostilidade” contra a empresa chinesa. A metade do lucro mundial do HSBC vem das operações na China e Hong Kong.

A declaração do HSBC ocorreu após o Diário da China e outros jornais do país publicarem um relatório acusando o HSBC de cumplicidade com os Estados Unidos em processo contra a Huawey, que resultou na prisão de Meng Wanzhou. As acusações dão conta que o HSBC recebeu “enormes benefícios” ao ajudar o governo dos EUA a enfrentar a Huawei. Segundo os jornais, o banco agiu como se fosse uma vítima da “fraude” de Meng e, assim, produziu “provas” contra ela. A armação, como tratou a mídia chinesa, permitiu ao Departamento de Justiça dos EUA retirar a acusação de lavagem de dinheiro contra o banco.

O assunto esquentou na semana passada após divulgação de novos documentos legais apresentados pela defesa de Meng. Os documehtos provam que o HSBC sabia que a Huawei estava operando no Irã e que a Huawei e a empresa local Skycom faziam negócios no país. De acordo com a acusação dos EUA, Meng teria ocultado o relacionamento da Huawei com a empresa iraniana, induzindo o HSBC a continuar prestando serviços bancários à Huawei. Com isso, o HSBC violou as sanções dos EUA contra o Irã e enfrentou o risco de sanções civis e criminais. 

Para entender o caso – http://en.people.cn/n3/2020/0724/c90000-9714596.html