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Comandantes de rabecão

Fernando Rosa – Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o general Mourão, vice-presidente da República, tenta jogar no colo da oposição a posição irresponsável de seu governo. “O fulano está pensando só nisso porque é de direita e o outro só aquilo porque é de esquerda. Não, nós temos de buscar um meio-termo e a igualdade”, diz ele. Na maior cara dura, fala como se não fosse o seu capitão de estimação o principal responsável pelas dificuldades no enfrentamento à epidemia.

Mas, o mais grave é ouvir um general do Exército argumentar com a “verdade” para justificar as mentiras proferidas diariamente por Bolsonaro. “Acho que tem de confiar na palavra do presidente. Seria o pior dos mundos o presidente chegar e declarar que testou e deu negativo e depois aparecer que deu positivo”, diz ele para explicar. Na entrevista, o general Mourão tenta justificar porque, diferente de outras autoridades mundiais, Bolsonaro não divulga o resultado de teste.

“Parto do princípio, e isso é uma coisa que é muito cara para nós que viemos do meio militar, a questão que sua palavra tem fé de ofício”, afirma Mourão. “A gente só trabalha no meio militar assim. Se eu falei A, é porque é A”, continua, lançando mão de um dos valores mais caros para as tropas, ao lado da hierarquia e da disciplina. “Acho que, se o presidente disse que deu negativo, OK. Deu negativo”, conclui ele, justificando a irresponsabilidade sanitária e política de Bolsonaro.

Caso se tratasse de um personagem qualquer, e também de um advogado de defesa com desconhecimento de fatos pregressos, talvez os argumentos do general Mourão pudessem ser considerados. Mas não é disso que se trata, pois mentir faz parte da personalidade do capitão, está na origem de sua história, quando foi expulso do Exército. Foi exatamente por mentir que Bolsonaro foi submetido a julgamento de Tribunal de Honra e considerado por unanimidade dos coronéis “indigno ao oficialato”.

O que o general Mourão não explica é porque tem tanto zelo em proteger o capitão, e não demonstra a mesma preocupação com o Exército brasileiro. Estamos em guerra, é o bordão de todos os chefes-de-Estado, mas por aqui, ao que parece, a preocupação é salvar a pele do “agitador das massas”. O general Heleno, chefe do GSI, “por engano”, abandona a quarentena antes do tempo, enquanto o comandante do “gabinete de crise”, general Braga Neto, até agora não deu o ar da graça.

Enquanto isso, neste domingo, 29, o protegido capitão desafiou mais uma vez a orientação de seu próprio Ministério da Saúde, e saiu pelas ruas de Brasília para espalhar vírus. Na verdade, Bolsonaro aposta no caos social e, para isso, sabota o esforço nacional para atender empresários, banqueiros e seu “best friend” Trump. Isso tem nome, atende por CRIME DE GUERRA e, historicamente, costuma resultar penalidades muito duras.

A impressão que temos é que alguns dos senhores generais estavam “focados” em outras atividades, quem sabe preparar a invasão da Venezuela, a mando dos Estados Unidos. Outros, em tentar blindar, no que estão certos, o Exército da aproximação nefasta do criminoso governo Bolsonaro. Ou, ainda, é provável que ambos não tenham a menor ideia de como lidar com um “inimigo externo”, algo distante de sua “especialidade”.

A verdade é que, enquanto em outros países, os Exércitos cumprem seu papel na guerra, apoiando ações sanitárias, por aqui impera a paralisia. A opção até o momento, pelo visto, é “transportar cadáveres”, consequência direta da política de passar pano em Bolsonaro e suas ações irresponsáveis. Uma Nação espera mais de seus generais do que apenas ameaçá-lá com golpes de Estado, ditaduras e mortes.

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