De volta ao local do crime

De volta ao local do crime

9 de dezembro de 2017 0 Por Senhor X
Fernando Rosa – Nesta sexta-feira, 8 de dezembro, o juiz Sérgio Moro cumpriu nova agenda espetaculosa em sua campanha contra o ex-presidente Lula, ao comparecer a evento na Petrobras, no Dia Internacional de Combate à Corrupção. O ato desta sexta-feira foi antecedido por outra ação midiática – a “devolução” de R$ 600 milhões à empresa, ontem, em Curitiba, com o também garoto global Deltan Dallagnol. Nada mais “lawfare” do que um evento desse tipo na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, exatamente no mesmo dia em que Lula conclui sua caravana no estado.
Os dois “justiceiros”, hipocritamente, comemoram as ações da Lava Jato que, desde seu início, devastou os setores de petróleo e sua cadeia produtiva (metal-mecânica, indústria naval etc.), da construção civil e da engenharia pesada. Segundo a GO Associados, os impactos diretos e indiretos da operação, apenas em 2015, chegaram a R$ 142,6 bilhões, algo em torno de 2,5% do PIB. Em 2015 e 2016, houve redução de 2,86 milhões no saldo de empregos formais no Brasil, de acordo com o CAGED.
A presença de Moro na sede da Petrobras sofreu o repúdio de funcionários para quem “a Operação Lava Jato se assemelha mais a uma série de TV, atuando em ‘parceria’ com a mídia monopolista e empresarial”. “Com a justificativa de recuperar o dinheiro roubado e punir poderosos, a operação avança gerando um rastro de destruição econômica”, dizem. A “parceria” entre judiciário e mídia, segundo os funcionários, criou uma narrativa que vem justificando a destruição do país, da própria Petrobrás e a entrega das nossas riquezas ao capital estrangeiro.
No filme “Snowden”, o cineasta Oliver Stone denuncia a espionagem dos Estados Unidos ao redor do mundo, por meio da NSA – a agência norte-americana de inteligência – de acordo com informações vazadas pelo Wikileaks. Segundo Stone, foram espionados líderes políticos e empresariais, incluindo a presidenta Dilma Rousseff e a Petrobras, com o resultado utilizado para posteriores golpes políticos e econômicos. Não é de hoje, e já não são poucos aqueles que acreditam estar em agências e organizações externas, inclusive de Estado, a origem da Operação Lava Jato.
O evento sexta-feira faz parte do roteiro da “Batalha Final” que Dallagnol trombeteou, assumindo a linguagem do Império em suas ações de assalto ao petróleo no mundo. O falso “coroinha” do fim do mundo “bíblico” deve ter se inspirado nas operações “Tempestade no deserto”, “Liberdade do Iraque”, ambas no Iraque, e “El Dorado Canyon”, na Líbia. A presença de Moro na Petrobras e a tentativa de batizar o ataque final a Lula fecharam o círculo do criminoso “contexto” que envolve a Operação Lava Jato, unicamente voltada para destruir o Estado Nacional.