Artigos

É o imperialismo, amigos!

Fernando Rosa – O questionamento sobre a “polarização” no Brasil prometia ser a pauta para o novo ano que entrava, ao gosto de vários “lados” da disputa política nacional. Críticas a uma fala do ex-presidente Lula relativa ao envolvimento dos Estados Unidos nas manifestações de 2013 ameaçaram esquentar o debate.

Por alguns dias, parecia que o embate político seria, definitivamente, encaixotado na velha visão caipira-eleitoral do mundo, que nada enxerga além da cerca do sítio.

No entanto, como diz o velho ditado, nada como um dia após o outro, e uma noite no meio – infelizmente banhada de sangue. Foram necessários apenas três dias para que tal postura política sucumbisse aos fatos. No caso, o atentado criminoso patrocinado pelos EUA, com o assassinato da segunda maior autoridade do Irã, general Qassem Soleimani.

A ação ordenada por Trump, escancarou “a atitude norte-americana de xerifes do mundo e a visão extraterritorialista de sua legislação”, como até o general Sérgio Etchegoyen admitiu em entrevista ao UOL. Ou seja, o atentado terrorista ordenado e assumido pelo presidente dos Estados Unidos colocou em xeque a soberania e, em última instância, até mesmo a existência das Nações.

É pouco, portanto, reduzir o atentado à uma iniciativa “eleitoreira” de Donald Trump, embora isso possa servir aos seus interesses – ou não. Também é insuficiente apontar a guerra pelo petróleo na região, em especial no Irã, como razão central, embora faça parte do jogo.

O que estamos vivendo é a “guerra do dólar”, ou a tentativa desesperada por sua sobrevivência como moeda mundial. A economia norte-americana está entre a recessão e a guerra comercial com a China, enquanto a economia mundial caminha para desaceleração em 2020, alertam economistas. A explosão social em países da América Latina, em particular, por sua vez, evidencia a falência da política neoliberal.

Diante disso, a nova conformação geopolítica do mundo pós-falência do mando unipolar dos Estados Unidos está colocando o imperialismo em xeque, evidenciando sua falta de perspectiva para o desenvolvimento dos povos. 

Assim, é o estreitamento das relações políticas e, principalmente, militares do Irã com a Rússia e China que determinou o assassinato do general Soleimani, artífice dessa política. Não por acaso, ele foi assassinado após concluídas as manobras navais conjuntas entre os três países, no golfo de Omã, entre 27 e 30 de dezembro.

Frente ao ocorrido nesta semana, não deveria restar qualquer dúvida sobre o papel dos EUA na “primavera tropical”, no golpe de Estado ou na eleição de Bolsonaro. Ou, então, alguém de sã consciência que acredite em saída para o Brasil desconsiderando a realidade internacional.

A alternativa reafirmada pelos Estados Unidos e seus interesses é a recolonização selvagem – e violenta – dos países periféricos, como está fazendo no Brasil o governo Bolsonaro-Guedes.

Para isso, operam com diferentes armas que vão de sanções econômicas às guerras híbridas, incluindo ações como a Operação Lava Jato, até a radicalização da violência belicista.  

Apequenar-se diante dessa realidade ou, pior, atacar quem busca compreendê-la e enfrentá-la, é mais do que um erro histórico. Neste momento, desconsiderar o que está acontecendo e passar pano nas “manifestações de 2013” deixará de ser apenas um equívoco de avaliação.

Alinhando-se servilmente aos Estados Unidos, os atuais inquilinos do Palácio do Planalto já escolheram o seu lado, o lado perdedor da história, com graves consequências para o presente e para o futuro do Brasil.   

É hora de pensar grande, afirmar um projeto de Nação, com um Estado e instituições que sirvam verdadeiramente ao seu povo, para promover o desenvolvimento do país, com independência e soberania.

Não existe outro caminho, e quem insistir em trair os interesses  nacionais pagará um preço alto, a exemplo de outros personagens malditos da história brasileira.

ResponderEncaminhar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *