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Esquema “lata-velha”

Fernando Rosa – A capa da revista Veja desta semana com a imagem de Lula afundando, como um Titanic das “esquerdas brasileiras”, é por demais emblemática. Além de ser uma espécie de “Oscar” pelos 40 anos do PT, sinaliza a preocupação do neoliberalismo em crise. Por mais que apelem para o esquema “lata velha”, ou seja, vender Guedes na pele do Huck, a vida política do país está polarizada, e exige soluções profundas e radicais.

Quando publicamos o primeiro livro da trilogia “Um Golpe Americano”, demos o subtítulo de “A última valsa dos traidores”. O que se confirmou. Tanto o PSDB, o patrono do golpe, quanto o coadjuvante PMDB foram varridos do cenário político. Na esteira da vitória de Trump, o ultraliberalismo chegou ao poder com Bolsonaro e seu Exército travestido de “novos executivos” e/ou “gendarmes imperiais”.

Na falta de lideranças de “centro”, a direita ataca Lula com o objetivo de desqualificar tudo que ele representa para o povo, para o Brasil e para o mundo. A capa da Veja vem acompanhada de matérias em outros jornais. Todas tentam transformar Lula e suas ideias em coisa do passado. Pior. Alguns setores da esquerda aplaudem e até ajudam, como se estivessem fazendo a coisa certa, ou apontassem outra alternativa de disputa de poder.

O que incomoda o sistema financeiro imperialista é a denúncia clara da intervenção norte-americana no Brasil, que vem sendo feita por Lula, depois que deixou a prisão. Nas palavras de Lula, as manifestações de 2013, a operação Lava Jato e a vassalagem de Bolsonaro são faces da mesma moeda. A soberania nacional está sendo vilipendiada e Lula alerta para a urgência em defender o Brasil da destruição.

A Nação e, em especial, as esquerdas brasileiras precisam acordar para a vida real da atual disputa política. É decisivo neste momento abandonar a percepção “terraplanista eleitoral”, ou a do “inimigo interno”, que reproduz a visão dos militares. Estamos em meio a uma guerra mundial, em que o país foi invadido, ocupado. É urgente encarar a realidade sob essa perspectiva.

A economia, a recessão, o desemprego não podem ser pauta secundária do cotidiano político de militantes, lideranças e veículos de comunicação. A “lacração” nas redes sociais não pode substituir a busca de comunicação efetiva com o povo, em cima de fatos concretos das vidas de todos. O tema da soberania não deve provocar “bolinhas”, mas estimular e traduzir a desgraça que significa perdê-la, como está ocorrendo.

Se alguém tem ilusão de que estamos vivendo apenas um momento passageiro, e que tudo se resolverá em 2022, com a “união das esquerdas”, esses é que ficarão para trás. E não Lula. O Brasil é o principal alvo regional de uma guerra brutal de recolonização selvagem, que corrompeu todas as instâncias de Poder. É ilusão acreditar que derrotaremos o imperialismo e reconstruiremos o Brasil a partir das ruínas das atuais instituições.

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