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EUA querem ‘subordinação’ da América Latina em meio a disputa com China, segundo ministro uruguaio

Sputnik – Durante entrevista à Sputnik Mundo, o ministro da Defesa do Uruguai, José Bayardi, acusou os EUA de interferência em países sul-americanos tendo em vista uma disputa hegemônica com a China.

“A guerra comercial com a China tem levado os EUA a ter um maior interesse pela América Latina e a buscar uma maior incidência nas realidades dos países latino-americanos. Por exemplo, tiveram incidência no afastamento do Partido dos Trabalhadores no Brasil, no afastamento de Evo Morales da presidência, no fracasso dos acordos de paz na Colômbia e na desestruturação da Unasul”, disse José Bayardi à Sputnik Mundo.

Desta forma, o ministro uruguaio acredita que os EUA estejam interferindo em recentes episódios de protestos e outros problemas nacionais em países sul-americanos devido à sua percepção da região como seu “quintal”.

Ainda de acordo com Bayardi, a motivação dos EUA para agirem assim seria o contexto de seu choque hegemônico com Pequim, ao passo que tentam manter na América Latina uma maior influência.

“O que buscam os EUA é que a região se subordine desde o ponto de vista estratégico, político e econômico aos seus interesses nesta guerra comercial, que é uma luta pela hegemonia a nível global […] Em minha opinião pessoal, os EUA têm tratado de forma equivocada o tema, porque se tivesse havido políticas de entendimento com a América Latina, os resultados teriam sido melhores e o sofrimento do povo menor”, declarou o ministro.

Protestos e violência

Recentemente, países como Chile, Bolívia, Equador e Colômbia têm sido palco de protestos.

Segundo a autoridade uruguaia, alguns desses eventos seriam “produto das políticas aplicadas”.

“As manifestações em alguns países são produto das políticas aplicadas. No Chile estão protestando pela grande desigualdade que existe […] mas o que se passou na Bolívia é uma realidade distinta”, afirmou Bayardi.

Segundo Bayardi, a Bolívia teria apresentado resultados positivos durante o governo de Evo Morales, o que teria motivado a decisão de afastá-lo do poder.

“[A Bolívia] é um país que tem ganhado em soberania e autonomia para dispor de seus recursos naturais, os quais são desejados por muitos países centrais. Isso levou a uma decisão de afastar do governo o presidente Evo Morales e ao golpe de Estado em curso hoje, que custou uma enorme quantidade de vidas”, acrescentou o ministro.

Na sequência desse afastamento, o país se tornou palco de fortes protestos que causaram a morte de muitas pessoas.

Tomar o poder por ‘qualquer caminho’

Explanando suas ideias sobre a luta pelo poder na América Latina, José Bayardi afirmou que “setores da direita” desejam o poder a qualquer custo.

“Além disso, os EUA querem voltar a ter atores dentro dos países que lhes garantam políticas que sigam seus interesses […] por isso, os setores de direita são capazes de tomar qualquer caminho, autoritário ou eleitoral, para chegar ao poder. Isso mostra um grave perigo para a América do Sul”, ressaltou Bayardi.

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