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Jamais seremos colônia

Fernando Rosa – “O NOSSO presidente Donald Trump …”, assim o general Mourão se referiu ao presidente dos Estados Unidos, em palestra no interior do Rio Grande do Sul, nesta terça-feira. Além de sabujamente celebrar o “poder” dos “países mais desenvolvidos”, a expressão de Mourão é a síntese do servilismo que marca o atual governo do capitão Bolsonaro. A declaração do general Mourão mantem a mesma postura capacha de seu chefe, quando bateu continência à bandeira dos Estados Unidos, durante a campanha eleitoral. 

As manifestações de subserviência, no entanto, não foram exclusivas do general Mourão, mas seguidas pelos generais Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército e atual assessor especial do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, e Alberto Cardoso, chefe do Gabinete Militar no governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo o Correio Braziliense, disseram que “o país está sob ataque indireto de nações estrangeiras”, durante palestra em Brasilia. A afirmação foi feita durante o evento “Intérpretes do pensamento estratégico militar”, organizado pelo Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal (IHG-DF).

É o retrato dos (países) mais desenvolvidos. O nosso presidente Donald Trump dando uma encarada na Merkel. Eu acho que foi por isso que a Merkel começou a ter uns tremores de vez em quando — disse Mourão, sem em entrar em detalhes sobre o problema de saúde da chanceler. (General Mourão, em O Globo de 6/8/19).

“Há hoje uma guerra indireta em andamento, que agora, imediatamente, após a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, envolve a Alemanha, o Uruguai, os Estados Unidos e outros países”, disse Villas Bôas. Envolver o pacífico Uruguai e a Alemanha que, desde muito tempo, co-financia o Fundo da Amazônia é conversa fiada para disfarçar o que realmente pretendem. O discurso de “ataque indireto de nações estrangeiras” é apenas cortina de fumaça para entregar as reservas indígenas à exploração das mineradores norte-americanas. 

“Eu não quero uma árvore preservada enquanto pessoas passam fome”, também afirmou cinicamente o general Villas Bôas, como se ele e seu governo tivessem compromisso com isso. Não foi o seu “assessorado” que, outro dia, disse para o mundo ouvir que “não existe fome no Brasil”, enquanto destrói a economia nacional, aumenta o desemprego e a miséria? Um papo furado para fazer coro com o obscurantismo científico e esconder o fato de que houve um crescimento de 88% no desmatamento da Amazônia em junho deste ano em relação a junho de 2018.

A quem os generais pretendem enganar, quando o chefe deles, o capitão Bolsonaro, já disse que está “se aproximando dos Estados Unidos para explorar essas áreas (terras indígenas da Amazônia) em parceria e agregando valor”? Na verdade, os senhores já estão a serviço dos norte-americanos, ávidos por novos cargos no governo, em especial por postos na Junta Interamericana de Defesa, em Washington. As suas mãos já estão sujas do sangue do cacique Emyra Wajãpi, assassinado por garimpeiros estimulados pela violência destilada pelo presidente que vocês elegeram.

Diferente do que apregoam, assim como o seu presidente, os senhores não defendem a soberania nacional coisa nenhuma, ao contrário, assumiram o papel de “guarda pretoriana” do Império. A verdade é que os senhores jogaram a memória do general Rondon na lata do lixo e se bandearam para as tropas do general Custer – aquele do “índio bom é índio morto”. A ponto de ficarem calados, sem esboçar qualquer reação, diante dos ataques desferidos contra os seus pares, os generais Santos Cruz e Rocha Paiva, vítimas da virulência do clã e suas agências de (des)informação.

O Brasil está sob ataque sim, senhores generais, mas de uma força imperialista que, a cavaleiro da Lava Jato e do governo vende-Pátria de seu superior, aposta em recolonizar a Nação brasileira. Se os senhores fossem, de fato, “intérpretes do pensamento estratégico militar”, restaria “ao povo deste novo protetorado americano vender bijuterias de nióbio em Angra dos Reis”, como disse Fernando Haddad, em artigo na Folha. A covardia e a traição dos senhores, no entanto, não impedirão que o povo defenda o Estado Nacional e a liberdade dos brasileiros.

Um comentário

  • joserjbr

    Continuo me perguntando, como evitar que essa submissão continue? Como interromper essa destruicao do nosso pais? Com as FFAA entreguistas, com o povo sendo enganado diariamente pelo noticiario da midia decadente e corrompida, e apenas uma pequena parte da população consciente da realidade, como derrubar esse governo vira-latas e entreguista?

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