Literatura

O caso dos nove chineses

Da Redação
“Em 1964, para vincular os “comunistas” a interesses externos, os golpistas prenderam um grupo de cidadãos chineses que trabalhavam no Brasil, sob a acusação de “agentes internacionais” instalados no Brasil. Conhecido como “o caso dos nove chineses”, o fato era uma armação da polícia do então governador Carlos Lacerda, notório anti-comunista. Apesar de brilhantemente defendidos pelo advogado Sobral Pinto, e da reação internacional articulada pela China, os chineses foram condenados – e depois expulsos – por meio de provas fraudadas”, lembramos no artigo Golpistas apostam em nova Operação Condor?“.
Essa história, ainda hoje muito pouco conhecida, talvez fruto da censura dos anos da ditadura, é contada no livro “O caso dos nove chineses”, dos jornalistas Ciça Guedes e Murilo Fiuza de Melo. “Os dois trazem à tona agora, cinquenta anos depois, história do primeiro escândalo internacional de violação dos direitos humanos da ditadura militar brasileira”, informa a Editora Objetiva. O livro foi escrito com base em documentos inéditos, entrevistas exclusivas, depoimento de um dos sobreviventes, e ampla pesquisa. Lançado em 2014, pela Editora Objetiva, o livro pode ser encontrada facilmente nas livrarias do país.
Segundo contam os autores, “na madrugada de 3 de abril de 1964, três dias após o golpe militar, policiais do Departamento de Ordem Política e Social invadiam, sem ordem judicial, um apartamento no bairro do Flamengo, no Rio, e capturavam um grupo de estrangeiros”. As torturas começaram ali mesmo. Horas depois, os homens da polícia política entravam em outro prédio, no Catete, e detinham mais pessoas. No fim do dia, nove chineses estavam presos, identificados como agentes internacionais instalados no Brasil para disseminar a revolução comunista”.
Ainda de acordo com o livro, “dois eram jornalistas, quatro tinham vindo montar uma feira de produtos da China e os demais vieram comprar algodão. Tornaram-se vítimas da paranoia anticomunista da época, alimentada pelo governador Carlos Lacerda. Foram condenados a dez anos de prisão por subversão e, após mais de um ano detidos, acabaram expulsos do país. O Brasil nunca pediu desculpas nem devolveu o dinheiro apreendido com o grupo — um valor que hoje ultrapassa R$ 800 mil. Em seu país, eles se tornaram heróis nacionais e ficaram conhecidos como Nove Estrelas ou Nove Corações Vermelhos voltados para a Pátria”.
Mais informações sobre “O caso dos nove chineses”
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