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O golpe é para destruir o Estado e o Poder nacional

Fernando Rosa
O golpe de estado parece inevitável, mesmo diante das manifestações internas de protesto e da opinião pública mundial contrária. Além da ausência de uma reação unitária e organizada, a exemplo da Turquia, os golpistas parecem ter uma força “estranha” capaz de blindá-los contra tudo e todos, além da mídia. A força, o “leitmotiv” dos golpistas – chefes, operadores e interessados, é a força do terror, da destruição, da liquidação do estado nacional.
O golpe de estado no Brasil tem por objetivo central afastar o Brasil do BRICS e impedir o desenvolvimento soberano do país, e nisso está sua central de energia, que orienta seus passos – pré-definidos e calculados. Não são por acaso todos os movimentos dos EUA na região, incluindo ataques ao Canal da Nicarágua e a aproximação com Cuba – leia-se, Porto de Mariel. A construção da Ferrovia Transoceânica, acordada por Dilma, no ano passado, passou a ser uma terrível ameaça aos interesses geopolíticos norte-americanos.
Afastar o Brasil do BRICS que dizer, concretamente, dificultar, ou impedir investimentos da China no Brasil, da forma como vem sendo – o país o maior exportador de capital para a América Latina, com US$ 250 bilhões aportados em 2015, em praticamente todos os países. Somente no ano passado, acordos firmados com o Brasil destinaram em torno de R$ 50 bilhões para obras de infraestrutura no país, incluindo a ferrovia para ligar os oceanos Atlântico e Pacifico. Ao Canal da Nicarágua, a ser construído por empresa chinesa, serão destinados cerca de US$ 40 bilhões.
A dimensão dessas obras, o envolvimento do BNDES em iniciativas anteriores, e a participação das empresas brasileiras, são motivos suficientes para contrariar os interesses do Império em decadência. Some-se a isso a atual incapacidade econômica dos Estados Unidos para promover investimentos de porte na região, seja no Brasil, ou em qualquer outro país. A vassalagem do ministro-interino, José Serra, a ponto de abrir voto para a senhora Clinton, em nada comoverá o sistema financeiro americano e mundial.
Os imperialismo norte-americano não tem nada a oferecer ao mundo atualmente, a não ser promover o esfacelamento dos estados nacionais. Assim como fez no Iraque a Líbia, e segue fazendo em outros países, como a Ucrânia, a Síria e a Turquia, com suas revoluções “coloridas” e golpes judiciais-parlamentares-midiáticos. Movido por um espírito cada vez mais bélico, para tentar salvar-se da catástrofe, os Estados Unidos apostam na destruição das forças produtivas, das instituições democráticas e dos direitos sociais.
Diante disso, a elite empresarial brasileira segue “dando tiros no pé”, enquanto o Brasil paga o preço de, ainda, não contar com um Projeto Nacional para confrontar-se com os golpistas à soldo externo. Mesmo assim, com sua “vocação de grande Nação”, o Brasil não aceitará retornar à condição de mera “colônia americana”, e se levantará na luta por um mundo multipolar, que conviva com a autonomia e soberania das Nações. Quanto maiores as traições e as maldades, mais amplas serão as resistências do povo, trabalhadores, democratas e patriotas.