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O selvagem fora do tom

Fernando Rosa – O presidente Bolsonaro prestou um grande favor ao Brasil com seu discurso arrogante e ofensivo na ONU. Como era de se esperar, ele escancarou ao mundo o que é o seu governo rentista-miliciano-militar. A reação da diplomacia e de autoridades mundiais pode ser avaliada em matéria do jornalista Jamil Chade, no UOL.

Mais do que faturar com a sua base miliciana-digital, Bolsonaro pode ter incomodado os seus “patrões” internacionais. Com seu discurso, ao que parece, foi muito além do padrão de selvageria exigido pelo rentismo colonialista. A ponto de Donald Trump ter tentado, em vão, diga-se, evitar aparecer ao seu lado durante o evento. 

Em agosto, a Business Roundtable, que reúne 181 CEOs das maiores empresas do mundo, revisou sua histórica posição. Antes voltada para a maximização dos lucros dos acionistas, agora defende que empresas devem beneficiar a todos – “clientes, funcionários, fornecedores, comunidades e acionistas”. Ou seja, a decisão dá sinais de que a sanha por superlucros pode ter ultrapassado os limites da exploração. 

No Brasil, Armínio Fraga à frente, setores “centristas” compraram a tese, com a defesa do combate à “desigualdade”. “Mesmo economistas mais liberais já admitem incorporar a política social na formulação de políticas econômicas”, disse Fraga, em entrevista. O PIB zero, o corte de investimentos públicos e o arrocho dos mais pobres de Guedes podem já não agradar tanto.

Diante disso, talvez seja bom prestar atenção na repercussão do discurso de Bolsonaro junto aos empresários brasileiros, segundo a Folha. Na matéria, o jornal destaca que o setor privado classificou o tom agressivo do discurso de Bolsonaro na ONU como “desnecessário”. “Se economia estivesse crescendo forte, ninguém se preocuparia com os arroubos do presidente, mas não é o caso”, opinaram os empresários.

É hora, portanto, de menos xingamentos ao presidente e mais atenção ao cenário internacional, com evidentes reflexos internos. O fim do mundo unipolar, a profunda crise capitalista e o perfil político assumido pelo governo Bolsonaro abrem uma oportunidade histórica para o Brasil. É preciso olhar para fora, para o alto, assumir as alianças internas e externas necessárias e reconstruir a economia, o Estado e os valores nacionais.   

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