Salvar vidas e enterrar bancos

Salvar vidas e enterrar bancos

22 de março de 2020 0 Por Senhor X

Fernando Rosa – O ministro da Saúde Luiz Mandetta está queimando a imagem de competência, se a teve algum dia, construída nas últimas semanas. Para se manter no cargo, aderiu às teses apregoadas por Bolsonaro. Passa mais tempo dando sermão em prefeitos e governadores, de um lado. E, de outro, passando pano nas declarações irresponsáveis do genocida que ocupa o Palácio do Planalto.

Hoje, assumiu a tática da “mitigação”, que até Boris Johnson já abandonou. Isso para sintonizar com Bolsonaro, para quem se trata apenas de uma “gripezinha”. Minimizou as informações externas, falando em “aguardar” os desdobramentos nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, abriu guerra à China, lançando dúvidas sobre o que aconteceu no país, e fechando as portas para a solidariedade chinesa.

Lamentavelmente, as informações do exterior apontam para uma calamidade de grandes proporções. Os Estados Unidos, por exemplo, não têm máscaras suficientes para as equipes médicas. Metade dos médicos e enfermeiros na Itália foram contaminados e afastados da frente de atendimento. O número de mortes deve crescer exponencialmente nos dois países, por conta do equivocado método inicial de enfrentamento ao vírus.

Aqui, até agora, o ministro/”presidente” não faz nada mais do que repetir o que a população ouve o dia inteiro pelas redes de televisão. Nenhuma informação sobre o edital do Mais Médicos, nada sobre compra de materiais, apenas “planos”. O que se sabe, de concreto, são iniciativas dos prefeitos e governadores, todas atacadas pelo inerte governo federal. De resto, sobram comentários ideológicos tacanhos e poucas ações/informações objetivas.

A dimensão da crise epidêmica e seu desdobramento econômico não tem o enfrentamento devido. Na semana passada, o cientista Miguel Nicolelis alertou para a necessidade do tema ser tratado de forma coletiva pelas maiores autoridades do país. No entanto, o que Bolsonaro faz é vender a ilusão de uma pseudo vacina “ungida” por Trump, com aval interno do Albert Einstein (novamente) e do Exército.

Bolsonaro aposta na tese nazista de deixar o vírus se espalhar e, com isso, criar anticorpos entre os “mais jovens”. Seus parceiros de pensamento, como Boris Johnson e Donald Trump, já abandonaram esse caminho. Por aqui, Bolsonaro e seus generais sequer entenderam que foram contaminados na intimidade do Império. E vão pagar caro por isso, e mais breve do que imaginam, como talvez nunca antes se viu no país.

A crise é maior do que sua expressão mais dramática, a epidemia que devasta famílias e vidas. Ela expõe as vísceras podres do neoliberalismo, do sistema financeiro, de quem até agora sequer apoio alguém lembrou de cobrar. Em 2019, apenas 4 bancos brasileiros registraram lucro de R$ 81,5 bilhões, um record histórico.

Enquanto isso, o Produto Interno Bruto (PIB) do país despencou para 1,1%, com 44% da indústria de transformação fechando o ano em recessão. O sistema de saúde foi devastado para “economizar” recursos para abarrotar os seus cofres. O número de desempregados atingiu seu maior patamar.

A economia mundial está em desaceleração, apontando para uma recessão sem precedentes na história. Algo como uma nefasta soma das crises de 1929 com 2008, agravada por uma pandemia sem controle.

Estamos às vésperas de grandes mudanças.

É hora de salvar vidas e, definitivamente, enterrar os maiores responsáveis pela epidemia econômica e social.

O sistema financeiro.