Sapatos, diplomacia e Alexandre Frota

5 de setembro de 2016 Off Por Senhor X

Fernando Rosa

– “O presidente Michel Temer disse neste domingo (4) que teve de comprar sapato na China depois que o seu “quebrou”. A visita ao centro de compras, no último sábado (3), foi registrada por sites estatais chineses e foi assunto de perguntas na entrevista coletiva com Temer nesta manhã. O “China Radio International”, que divulgou imagens de Temer no local, afirmou que o presidente brasileiro também comprou um cachorro robô de brinquedo”.
A informação é do insuspeito G1, com imagens do local China Radio International. O presidente golpista-temporário Michel Temer foi à China para a cúpula do G20, que reúne as maiores economias do mundo. O presidente também participou, no mesmo domingo, de um “encontro informal” com os países que integram o BRICS – Rússia, Índia, China e África do Sul.
Diante dessas informações e, principalmente, imagens, os brasileiros se perguntam – “estarrecidos”, como diria a presidenta Dilma Rousseff: o que faz um presidente do Brasil posar para uma foto dessas, considerando o simbolismo do sapato para a indústria nacional de vestuário?
Algumas hipóteses: a) de fato, o salto do sapato quebrou e Temer, sovina, teve de ir, ele mesmo, provar o sapato antes de comprar; b) ignorado no evento, como evidenciou a foto oficial das autoridades do G20, e sem ter o que fazer, resolveu dar um rolê no shopping para comprar um sapato e, claro, uma lembrancinha para o Michelzinho; c) a ação e, portanto, a imagem, foi de caso pensado, e traduz o que passa pela cabeça dos golpistas.
Sem acreditar que alguém possa ser tão “fora-da-casinha”, fico com a terceira hipótese, e explico as razões.
A imagem expressa o grau de vira-latismo e da profundidade da traição aos interesses nacionais dos golpistas. Render-se assim ao “sapato” chinês é renegar a tradição da diplomacia e das relações comerciais do Brasil com a China. É também desrespeitar o empresariado nacional que, aliás, apoiou o Golpe de Estado que o fez “presidente”.
A China é o principal parceiro comercial do Brasil, não por posturas anti-nacionais como essa. Mas por relações diplomáticas e comerciais soberanas, iniciadas nos anos setenta, e continuadas pelos governos Lula e Dilma. O general Ernesto Geisel, que cruzou a muralha da China, em 1974, deve estar dando tiros em seu caixão.
A imagem, por fim, é a mais cabal prova do isolamento dos golpistas perante o mundo. Temerosos, os golpistas se prestaram a esse subserviente gesto de covardia diante de um parceiro estratégico.
Na loja chinesa, o presidente golpista-temporário agachou-se para experimentar os sapatos. Em que posição estarão diante dos seus “patrões”, algozes da nossa soberania? Um caso para o intelectual Alexandre Frota.
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