Soberania da América Latina ameaçada

Soberania da América Latina ameaçada

3 de setembro de 2017 Off Por Senhor X

Fernando Rosa – Em novembro, ocorrem as anunciadas manobras militares conjuntas na Região Amazônica, envolvendo o Brasil, Colômbia e Peru, além de militares norte-americanos. No início de agosto, o articulista venezuelano Manuel José Montañez advertiu que o Brasil, ou seja, o governo Temer, está apenas servindo de fachada para os EUA. Segundo Montañez, com as manobras que contarão com a participação de cerca de 800 soldados das Forças Especiais, chamadas “Seal”, os EUA buscam articular a “terceirização” das suas operações na região – especialmente contra a Venezuela, diz ele.

Em 2016, o governo do Peru aprovou a instalação de uma nova base militar dos EUA, o Centro Regional de Operações de Emergência (COER), equipada para receber e instalar centenas de homens. Na verdade, antes dos fins “humanitários” alegados para a instalação de bases militares na Amazônia, as manobras buscam avançar na “ocupação” militar da região. Trata-se de uma espécie de “base inicial” de operações na América do Sul, para definitivamente assaltar as reservas de recursos naturais como gás, petróleo, metais, minerais, água, além da biodiversidade da floresta.
No entanto, mais do que objetivo imediato de fustigar a Venezuela, o plano estratégico dos EUA é patrocinar um enclave na região, assim como operam nos países do Oriente Médio. Não é de hoje que os norte-americanos buscam aumentar sua presença militar na América Latina, o que já conseguiram na Argentina, no Peru e trabalham para aprofundar no Brasil. A intenção torna-se clara quando, mais do que “observadores” de manobras, os especialistas militares dos EUA, com autorização do governo peruano, promovem o treinamento de todos os envolvidos.
No governo do general Ernesto Geisel, em 1978, foi firmado o Tratado de Cooperação Amazônica, também conhecido por Pacto Amazônico, com destaque para a defesa da soberania, já vista como o “calcanhar-de-aquiles” da segurança nacional e da geopolítica continental. As atuais manobras militares ocorrem em Tabatinga (Brasil), no coração da Amazônia – nas fronteiras dos três países – Brasil, Colômbia e Peru, até onde se sabe, região inédita em “desastres naturais” de qualquer espécie. “Hoje em dia eu só creio em teorias da conspiração. Quem quiser, que acredite em coincidências. Eu só acredito em teorias da conspiração!”, disse recentemente o ex-chanceler Celso Amorim.
No caso do Brasil, na sequência do golpe de Estado patrocinado e comandado pela inteligência externa, os Estados Unidos investem para submeter e quebrar a espinha dorsal da defesa da soberania nacional. Em nenhum momento da história do Brasil, nem mesmo durante os vinte anos de ditadura, as Forças Armadas posicionaram-se contra os interesses nacionais. Em particular em relação à Amazônia, nos anos quarenta, a aliança entre o senador Arthur Bernardes, no Congresso Nacional, e as Forças Armadas já derrotaram o plano de ocupação da região, por meio do enclave da Hiléia Amazônica.
Em 1893, o Marechal e Presidente Floriano Peixoto respondeu que “receberia à bala” a intervenção sugerida por cônsules estrangeiros durante a Revolta da Armada – contra ele. Por mais que setores políticos resistam à ideia, as Forças Armadas são instituições fundadoras da nacionalidade e do Estado Nacional, com a missão de defender e construir o País. Assim, os atuais ocupantes das pastas de Relações Exteriores, Defesa e Segurança Institucional, especialmente, devem uma explicação à Nação diante de uma ameaça tão evidente, aberta e nefasta aos interesses e à integridade territorial do país.