Um suicídio, duas tragédias

6 de julho de 2019 0 Por Senhor X

Fernando Rosa – O suicídio do empresário Sadi Gitz em ato oficial em Aracaju, diante do Governador do Estado e do Ministro de Minas e Energia, encerra duas tragédias – a pessoal, humana; e a social, econômica, política.

O gaúcho Sadi Gitz, vivendo em Sergipe desde 1981, era dono da fábrica de Cerâmica Escurial, com cerca de trinta anos de atividade no estado, produzindo riqueza e empregos para a região.

Atualmente em recuperação judicial, há cerca de dois meses paralisou as atividades por falta de condições de caixa, depois de passar a consumir gás com pagamento antecipado.

Em entrevista concedida a rádio Nova Brasil FM alguns dias atrás, o empresário denunciou a situação que levou a empresa à falência, com demissão de cerca de 200 trabalhadores.

A empresa sofreu as consequências da elevação dos preços do gás da Sergas, gerida pelo Governo do Estado, Petrobras e Mitsui – mas, na verdade, controlada pela empresa japonesa, detentora de 80% das ações.

Na entrevista, o empresário denunciou que “os japoneses, do outro lado do mundo, determinavam para o estado de Sergipe o maior preço de gás entre os estados produtores do Brasil”.

A tragédia é anunciada desde que a operação Lava Jato investiu contra a Petrobras com o objetivo de desmontar a empresa e toda cadeia nacional de petróleo e gás.

A privatização das refinarias, em processo acelerado, é o passo seguinte para quebrar as pernas da Petrobras e produzir tragédias ainda mais graves do que a ocorrida.

O suicídio do empresário diante do Ministro de Minas e Energia, Almirante Bento Albuquerque, é também um “aviso” aos generais que embarcaram na aventura do governo Bolsonaro.

A traição aos interesses nacionais do “bolsonarismo” está levando o Brasil para uma situação de irrelevância econômica e geopolítica, um pária entre os vizinhos latinos e no mundo.

Os militares, ao que parece, escolheram bater continência para os EUA, junto com o bolsonarismo e a elite vende-Pátria, mas a sociedade brasileira não aceitará ver o Brasil virar colônia.