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Uribe está certo

“A ditadura (sic) na Venezuela se estabilizou diante do apoio que Nicolás Maduro mantém de Rússia e China, além da lealdade das Forças Armadas chavistas”. A afirmação é do ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, em matéria publicada pela Folha de S. Paulo, publicada no dia 1º de dezembro. 

Em sintonia com a “fixação editorial” da mídia rentista brasileira, Uribe ainda disse que a “tirania de Cuba nunca caiu, e o mesmo está acontecendo na Venezuela”. A matéria, claro, tem inegável caráter propagandístico, sintonizada com a campanha do Império para tentar desestabilizar o país.

Uribe está certo em sua análise, no que tange a primeira afirmação, que explica a força do regime na Venezuela, alvo dos ataques criminosos do imperialismo norte-americano. É fato que a Venezuela mantém relações diplomáticas, comerciais e militares com os dois países, fundamental para enfrentar as ações inimigas, que não foram poucas nos últimos tempos.

Além das sanções e do bloqueio econômico, a Venezuela tem sofrido sistemáticas tentativas de golpes políticos, insuflados pela espionagem dos EUA. O apagão do sistema elétrico, tempos atrás, foi apenas uma das agressões contra o país, contidas pela parceria tecnológica dos aliados. Ao apostar em agressões mais ofensivas, os EUA certamente levam em conta os desdobramentos militares da presença russa. 

A “avaliação” de Álvaro Uribe deveria ser ouvida por boa parte da esquerda brasileira, vacilante ou mesmo refratária em relação ao processo político venezuelano. A experiência da Venezuela é um dos fenômenos mais importantes da América Latina moderna, construída a partir do movimento de massas e da percepção geopolítica da luta na região. O país, o governo e o povo têm claro seus objetivos e, mais do que isso, identificam seus verdadeiros inimigos. 

Dar o lado para a Venezuela, ignorar o seu exemplo de combate ao imperialismo é perder a oportunidade de aprender com sua experiência política e social. Talvez, pior ainda, é conciliar com a visão de quem, dia após dia, acusa o país de “ditadura”, enquanto passa pano no governo do Partido do Exército. A América Latina está se levantando e a Venezuela é uma trincheira fundamental dessa luta.

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