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Vale verde

Fernando Rosa – O levante no Chile escancarou o comportamento editorial mentiroso dos meios de comunicação, em especial da Rede Globo. Por anos a fio, venderam o “modelo” chileno como exemplo a ser seguido pelos brasileiros. 

Agora, além de não conseguirem mais esconder a fake news neoliberal, terão de explicar outras situações, no mínimo estranhas. 

Uma delas, a de que as Forças Armadas chilenas foram as beneficiárias maiores desses 30 anos pós-Pinochet. 

Informações agora divulgadas dão conta de que as FFAA do Chile, por exemplo, têm previdência pública. Ou seja, diferente da população civil, submetida à previdência privada, sob jugo das fundações (AFP) administradas pelos bancos. Atualmente, 80% das aposentadorias são inferiores ao salário mínimo.

A reforma de Pinochet, imposta em 1981, que privatizou a Previdência e instaurou o sistema de capitalização, deixou de fora militares e policiais. Em ambos os casos, as aposentadorias, em média sete vezes maiores que a dos demais chilenos, são bancadas pelos cofres públicos.

Mais grave ainda, é a notícia de que as Forças Armadas chilenas recebem em torno de 10% dos ingressos da venda de cobre pelo país, sob o argumento da compra de armas. Importante destacar que a exportação de cobre representa entre 15% e 20% das receitas do Estado chileno.

Vale lembrar também que, enquanto o cobre permaneceu estatal, as demais empresas e os respectivos serviços públicos foram privatizadas, com prejuízos para o país e para o povo. Além da saúde e da educação, até mesmo a água, item básico dos direitos humanos, segundo a ONU, foi entregue aos interesses privados.

Diante disso, é de se perguntar o que a sociedade brasileira pensaria ao saber que aqui os militares também buscam os mesmos privilégios. Aqui, para quem não sabe, eles não apenas ficaram fora da reforma da Previdência que atingiu a todos, como apostam conquistar aumentos salariais para as altas patentes.

Ainda, como lá, as viúvas de Sylvio Frota apoiam ou fazem vistas grossas para a desnacionalização de setores estratégicos da Nação brasileira. Até mesmo diante da ameaça de privatização da Petrobras, fundamental para o desenvolvimento nacional, nada fazem, ou pior, apoiam os entreguistas de plantão.

A revolta no Chile deixa claro que a maioria da sociedade não aceita mais ser tratada como “inimigo interno”, nem se dobra a “toques de recolher”. Aliás, a lição poderia valer para o Brasil, onde “tuites” desprovidos de autoridade ainda assustam autoridades.

A selvageria chegou ao seu limite, diante do que os povos reagirão cada vez mais com patriotismo e dignidade. O que, infelizmente, faz falta a quem deveria defender o país. 

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